sábado, 27 de outubro de 2018

Ver para crer ou crer para ver?


Celebramos o 30º domingo do tempo comum, onde a liturgia nos apresenta como luz e guia diante de uma realidade de incertezas. 


Na 1º leitura do profeta Jeremias 31,7-9, a comunidade de Israel está vivendo o exílio da Babilônia, onde o povo está dizimado, disperso e dividido. O profeta anima a comunidade a não perder a fé e a esperança, mas a crer em Deus e em seu plano salvador, na certeza de que o exílio chegará ao seu fim e o povo se reunirá novamente. Alguns membros haviam sido deportados a Babilônia, em sua maioria, a elite de Israel e a corte sacerdotal. Enquanto que outros sofriam o exílio na própria terra: o resto de Israel, vendo a cidade e todas as suas referências destruídas. 

O profeta Jeremias nos mostra que mesmo em tempo de crise, não podemos perder as esperanças e a nossa consciência como povo. Em tempos de crise, não podemos nos fechar ao diálogo, este é um dos piores caminhos, pois um povo dividido, é um povo fraco, é um povo fácil de manipular e roubar suas esperanças. Domingo temos uma importante decisão, infelizmente os candidatos se encontram em lados extremistas, polarizantes. A questão já ultrapassou o campo da política, que visa o bem comum, ao campo do subjetivismo narcísico, egocêntrico, que exclui completamente o outro em detrimento de si mesmo e de "seus valores". Involuntariamente me vem a pergunta: que valores são esses? Em nome de que deus falam? Certamente não são porta-vozes do Deus verdadeiro, que tem seu centro na vida e no seu direito. 

Nestes tempos sombrios suplico a vocês queridos irmãos, que acima de nossas crenças e ideologias: "que a dor não nos seja indiferente... que injustiça não nos seja indiferente... que a guerra não nos seja indiferente, pois é um monstro grande que pisa forte toda pobre inocência dessa gente... eu só peço a Deus, por mim e por vós, que a mentira não nos seja indiferente, e se um só traidor tem a mais poder que um povo, que este povo não esqueça facilmente... eu só peço a Deus que o futuro não nos seja indiferente, sem ter que fugir pra viver uma cultura diferente..." Estas sábias palavras são da cantora argentina Mercedes Sosa, inspirada em tempos de ditadura e opressão (o link da musica eu só peço a Deus: https://www.youtube.com/watch?v=6_VxXExMdMM

O centro de sua canção é a não-indiferença. Este também é o centro da mensagem de Jesus. Na passagem deste final de semana, temos um claro exemplo disso: Marcos 10 46-52, onde Jesus e o cego Bartimeu se encontram. Uma das minhas passagens favoritas e mais belas das Sagradas Escrituras. Bartimeu que vivia à margem da sociedade, reconheceu em Jesus a salvação de Deus. 

Jesus se encontrava a caminho com seus discípulos, seguidos por uma grande multidão que se somava a caminhada. Recordemos que nas beiras das estradas e nos caminhos, viviam inúmeros mendigos e pessoas com todo tipo de enfermidade, na tentativa de ganhar o próprio sustento, entre eles encontramos o simpático Bartimeu, homem de muita fé que no encontro com Jesus dá um passo de liberdade e salvação. 

Ao reconhecer a presença de Jesus ele sem medo exclama: Jesus, Filho de Davi; tem compaixão de mim! Observe que a multidão que seguia a Jesus ainda não havia aderido ao seu projeto, mas o seguia por modismo, pois diante daquele homem que clamava, se revelaram como vozes opressoras, impedindo-o de falar e de buscar a Jesus. Na vida precisamos todos os dias ser como Bartimeu, insistir uma e outra vez com mais força, até que alcancemos o nosso objetivo. Somente quando Jesus o percebe que lhe dão voz e vez, sendo capazes inclusive de animá-lo: coragem, levanta-te, Jesus te chama. Neste momento o cego dá um salto da sua condição de marginalizado e é colocado ao centro. 

Vejo neste momento uma explosão de alegria invadindo Bartimeu, que mesmo sem uma visão exterior, é capaz de vê Jesus, de um modo que aquela multidão não o havia visto. A sua fé foi o critério de salvação, que lhe permitiu recuperar a visão, assim como seu lugar na sociedade. Saiu do caminho e se pôs a caminho com Jesus e os seus, em um autêntico seguimento.

Feliz semana, muito axé e muita luz!

sábado, 20 de outubro de 2018

É necessário fazer memória para não esquecer as raízes



      A cantora argentina, Mercedes Sosa, canta em sua bela música a seguinte ação de Graças: obrigado a vida por tudo que me deu, me deu dois olhos que quando abro distinguo perfeitamente o preto do branco... me deu o som do alfabeto e com ele as palavras que eu penso e declaro... Obrigada à Vida por tudo que me deu, deu marcha aos meus pés cansados... o coração... o riso e o pranto... 

      Para aqueles que desejam ouvir a canção de Mercedes Sosa



     Desta forma poética, Mercedes Sosa eleva a Deus sua ação de graças pelas coisas elementares da vida, mas sobretudo o sentido recebido sobre ela. Pode parecer estranho, mas esta canção veio como um sopro do Espírito ao iniciar esta reflexão, pois também me sinto agradecida a Deus pelos seus cuidados e mimos. No entanto, algo da canção de Mercedes ou só me chamam bastante atenção, quando ela se refere aos olhos e o coração, pois Deus nos deu dois olhos para distinguir as coisas e também um coração, duas coisas complementares que ao mesmo tempo percebo estarem baixa em nós brasileiros atualmente. Enfraquecemos na capacidade de discernimento e sensibilidade da percepção do outro. 

  As recentes disputas políticas temos deixado cegos e irracionais e violentos. Confesso estar preocupada com o presente e o futuro do meu país, mas também com a vida dos meus amigos, familiares e da população de um modo geral, especialmente a classe mais excluída. Nosso país está sofrendo o câncer da desesperança e da perda de luz da razão. O mais admirável é ver cristãos de todas as tradições defendendo valores contrários aos do Evangelho, relativizando o nome de Deus em detrimento de interesses egoístas. Infelizmente as pessoas estão se atacando para defender partido A ou B. Quando a questão envolve religião fica ainda pior. Faço presente a frase do Pe. Manfredo Araújo de Oliveira: nenhuma religião séria pode aprovar um projeto que desconheço e que não leva a sério o eixo fundamental da dignidade do ser humano. Somos criados à imagem e semelhança de Deus. Cabe a nós cristãos, a tarefa fundamental de testemunhar em todos os níveis, especialmente da organização social, os critérios que para Jesus são fundamentais para a construção do seu Reino: a dignidade humana e seus direitos. Lembre-se, nosso voto é livre, no entanto, exige de nós o mínimo de sensatez e responsabilidade. 

    Estamos celebrando o 29º domingo do tempo comum, comemorando o dia mundial das missões, lembrando sobretudo o caráter missionário da Igreja, que nascer a partir dos gestos e palavras de Jesus e de sua entrega no lenho da cruz. Celebramos também nacional o dia da juventude, refletindo sobre sua realidade, lutas, sonhos e desafios. 

     A 1º leitura do livro do profeta Isaías 53,10-11, temos o quanto cântico do servo sofredor, que reflete a situação do próprio Israel em meio a perseguições e sofrimento, mas que sobretudo, busca ser fiel a Deus. Esta passagem foi mais tarde, relida pelas primeiras comunidades, identificando a Jesus como o servo sofredor, que carrega sobre si os pecados da humanidade. Gesto realizado por amor e consequências de uma religião e um governo corrupto, que torturou e matou a Jesus, por revelar as verdades do Reino e denunciar os abusos cometidos em nome de Deus. 

     A 2º leitura da carta aos Hebreus 4, 14-16, nos recorda que Jesus é o sumo sacerdote, que parte das realidades humanas e se caracteriza pela misericórdia. 

   No evangelho de Marcos 10, 35-45, percebemos uma dissonância entre o que Jesus ensina e o desejo de seus seguidores. Nesta narrativa temos dois momentos: o dialogo de Jesus com Tiago e João e o diálogo com os demais discípulos. Na primeira cena, Tiago e João demonstram ainda não entender a mensagem de Jesus e seus gestos. Continuam alimentando a antiga concepção de um messias glorioso, que viria com poder e majestade. Eles assim como nós, eram cabeçudos, pois Jesus falava a todo instante de renuncia, desempenhava sua missão entre os mias pobres e marginalizados. Desgraçadamente muitos cristãos permanecem cegos, atribuindo a Jesus algo que ele nunca foi e até repudiaria. Mas quantas vezes alimentamos uma fé cheia de caprichos, ambições, excluindo a uns e salvando a outros?

    O pedido dos dois revela uma briga que todos nós travamos interiormente: a briga entre o homem velho e o homem novo que nos habita. Irá sobressai aquele que mais alimentarmos. As vezes preferimos o caminho da fama, da gloria, sem querer passar pelos desafios e podas da vida, pois este caminho nos dá comodidade e segurança“. Jesus, pelo contrário, lhes propôs um caminho inverso: “quem quiser ser o primeiro seja o servidor de todos ”. Ele mesmo entrega sua vida como máxima, de amor, deixando um exemplo aos seus. Por isso, alerta para que não sejam como os chefes das nações, que oprimem e tiranizam, pois, seu legado é o do amor.

     Como cristãos, se faz necessário um constantemente regresso as fontes. para não perder nossas raízes e origens. Desejo a todos uma feliz semana, promotora do bem comum e da justiça e baseada na equidade e não na justiça cega. 

  O professor Leandro Karnal dá um banho da essência do cristianismo. Quem tiver coragem assista.


domingo, 7 de outubro de 2018

Não é bom que o homem esteja só!


Celebramos neste final de semana, o 27º domingo do tempo comum, onde a Palavra nos mostra que não é bom que o homem, a mulher, que ninguém esteja só, o que nos constitui em sociedade, com organização própria. Por isso neste domingo nos dedicamos a “festa da democracia”, escolhendo nossos representantes no campo político e econômico, o que requer maior consciência do nosso voto. 

A 1ª leitura de Génesis 2, 18-24, nos coloca no contexto do ato criacional. Nele percebemos que "Deus criou o mundo por pura generosidade, por puro prazer, sem razão, a não ser a de querer comunicar a própria vida" (Jean-Louis Ska). Isso é maravilhoso, Deus nos criou por e no amor, o que nos permite perceber que as misérias da vida não fazem parte do projeto de Deus, mas o resultado do rompimento com seu projeto inicial. 

As Sagradas Escrituras testemunham o constante amor e cuidado que Deus tem para com o ser humano: " não é bom que o homem esteja só! Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele" (v. 18). Observem que Deus cria alguém semelhante ao "homem", não um serviçal ou inferior. De acordo com este segundo o relato da criação, Deus cria a mulher a partir do homem, do mais íntimo de seu ser (v.21-23), mas tem homem achando por aí que a mulher saiu da sola dos pés, o que justificaria poder pisar, maltratar e explorar a elas. A mulher simbolicamente pode ter sido criada a partir de Adão, mas quem é portadora de vida ela, quem é capaz de gerar, amamentar, cuidar e se sacrificar por amor a um filho é ela, enquanto que muitos homens diante da responsabilidade de um filho, desaparecem sem a mínima satisfação. 

E aí podemos nos perguntar: de que serve conhecer e inventar milhares de coisas e tecnologia, se o coração do ser humano não sabe amar? Nascemos para o amor. "O ser humano foi feito para encontro, para o diálogo, para comunhão... Ele só existe quando há outro. O outro encontra-se inscrito no mais profundo de seu ser". Ao redatar estes versículos, o autor não se refere somente ao relato simbólico do primeiro casal, mas se dirige aos casais de todos os tempos, por isso afirma: o homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher e os dois serão uma só carne. 

O Salmo 128 geralmente é reservado as celebrações matrimoniais. Tanto ele como 127, buscam recordar o valor da presença de Deus nos atos humanos, pois estes serão em vão com sua ausência. 

Convido a vocês queridos casais, a lerem juntos este belo salmo, degustem e reflitam sobre as palavras nele contidas. 

A 2 ª leitura da carta aos hebreus 2, 9-11, nos recorda a ação salvifica de Jesus por meio de seu sofrimento de Cruz, que reconciliou a todos com Deus, recuperando a aliança perdida. 

O evangelho de Marcos 10, 2-16, vemos novamente Jesus sendo posto à prova pelos fariseus. O tema é o divórcio, assunto polêmico para o judaísmo daquela época e para a Igreja de todos os tempos. Quando questionado sobre o divórcio, Jesus retoma as escrituras de Israel mostrando a lei mosaica e suas exceções. Ao mesmo tempo Jesus denuncia a dureza de seus corações, motivo pelo qual Moisés teria permitido a carta de divórcio. E hoje, como está o nosso coração frente o nosso cônjuge, permanece dureza de coração? 

Cada um saberá, mas as pesquisas apontam para o aumento do número de divórcio, separação e até mesmo de violência entre casais, sendo ela verbal, física ou psicológica. Onde foi o amor que os uniu? Por que tanto desrespeito e desamor? Por que reduzimos o outro ao objeto sexual a disposição de nossos prazeres e caprichos? 

O amor é o que nos une é o que dá sentido e nos plenifica. Por isso, Jesus recorda que Deus criou o homem e a mulher, semelhantes em dignidade, diferentes em sua peculiaridade física, emocional e psicológica, diferenças que são pontos de partida para uma relação plena, de comunhão 

O casamento, a vida a dois é um continuo desafio, porém, quando bem vivido constitui uma beleza sem igual. Muitos casais se esquecem que no ato da bênção nupcial, selaram uma união entre si e também com Deus, mas com o passar do tempo, vivem seus problemas e seus dramas sem Deus, o que leva na maioria das vezes ao fim de um relacionamento. Por isso, casais, orem juntos, conversem sobre seus problemas, cultivem sonhos, planos, férias... façam valer o compromisso que selaram com Deus diante da comunidade, de se amarem, se respeitarem... 

Nos últimos versículos, Jesus acolhe as crianças como privilegiadas de seus Reino. Nesta semana, dia 12 celebramos seu dia. Peçamos a Nossa Senhora Aparecida a benção para os nossos lares, nossas famílias. Lembrando que quando um casal se separam, as crianças são as que mais sofrem. 

Feliz semana!

domingo, 30 de setembro de 2018

Conhecendo o livro da Sabedoria



Para ser sábios precisamos constantemente fazer escolha, ponderar e discernir. 

O prometido artigo sobre o livro da Sabedoria vem fechando o mês de setembro com a grata memória de São Jeronimo. Espero que apreciem o conteúdo e se lancem cada vez mais no mistério de um Deus que se revela na história continuamente.

O livro é conhecido como a sabedoria de Salomão ou livro da sabedoria. Foi escrito em grego na cidade de Alexandria, pelos judeus da diáspora, em torno do 50 a. C, motivos pelos quais não entrou no cânon judaico, visto que umas das maiores exigências do cânon consistia em escritos na língua hebraica ou aramaica. 

Cronologicamente foi o último livro escrito do Antigo Testamento, sendo atribuído a Salomão, símbolo da sabedoria de Israel. O autor escreveu para dois públicos específicos: judeus e pagãos: para os judeus escreveu em uma tentativa de fortalecer sua identidade como povo de Deus, e aos pagãos para demonstrar que a sabedoria de Israel era superior à grega. 

Nos capítulos iniciais sobretudo insiste que a sabedoria e a imortalidade se alcançam pela pratica da justiça. 

O livro pode ser dividido em três parte: 
  • 1º parte: sabedoria dá sentido à vida: 1,16-5,23; 
  • 2º parte: natureza da sabedoria: 6,1-9.18; 
  • 3º parte: longa meditação sobre o Êxodo: 10,1-19.22. 
Na primeira parte do livro (1, 1-6,21) há uma clara formulação da doutrina imortalidade”, que exigia dos judeus uma fidelidade a Deus e a pratica da justiça para alcançá-la, enquanto que aos ímpios estava destinado as tribulações e sofrimentos. 

Na segunda parte: 6, 22-9,18, o conceito de sabedoria passa a significar a relação entre Deus e o ser humano

Na segunda parte: 10,1-19,22, é uma grande releitura e interpretação da história para aplicar as novas circunstancias. O autor faz uma releitura teológica e moral da libertação do Egito para atualiza-la aos contemporâneos. 

O capitulo 10 se refere a sete figuras patriarcais, desde a origem até o Egito: Adão, Abraão, Noé, Ló, Jacó, José e Moisés, mostrando que a Sabedoria conduz a história e nela realiza a justiça divina. Os capítulos 11 aos 19, descrevem a manifestação do juízo histórico de Deus, através de sete acontecimentos ocorridos durante a saída do Egito. Se acentua fortemente o castigo contra o Egito, símbolo dos ímpios e a salvação para os hebreus, símbolo dos justos, que abraçaram a sabedoria de Deus. 

Para o autor, a sabedoria será sempre o único meio que os governantes têm para fazer o que é justo, por isso abre seu livro com um apelo à justiça para todos os governantes: “amem a justiça, todos vós que governam a terra” (1,1). Também se refere a sabedoria com uma noiva que devem desposar para bem administrar. Os capítulos 7 e 8 elencam os diversos atributos da sabedoria. 

A sabedoria representa o próprio Deus. Outrora Deus libertou Israel, agora esta tarefa se reserva a sabedoria, pois ela está presente na história. 

O último se versículo resume em uma expressão de fé e esperança, que resume a história e os lança para o futuro: “Em todas as coisas, ó Senhor, tens feito com que o teu povo tenha grandeza e glória; e não deixaste de estar junto deles em todos os tempos e em todos os lugares” Sab 19,22. 

Alcançar a sabedoria consiste num continuo processo de abertura a Deus, que nos-la concede como um dom para bem discernir e praticar a justiça, para fazer presente o Reino de Deus. O livro da sabedoria nos ensina a contemplar criticamente a história para saber ler os acontecimentos presentes em nossos dias. 



sexta-feira, 28 de setembro de 2018



   Celebramos o 26º domingo do tempo comum, tendo como centro o mistério de um Deus que se revela na história da humanidade. As Sagradas Escrituras retratam parte desta revelação por meio da longa trajetória do povo de Israel e através da revelação máxima dada em Jesus de Nazaré. 

   Neste domingo comemoramos o dia da Bíblia, agradecendo a Deus o dom de si mesmo que se derrama sobre nós e não pode ser aprisionado aos nossos esquemas, como bem demonstrarão as leituras.. 

Oração do dia 

Ó Deus, que mostrais vosso poder sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. 

   Música para acalmar o coração e entrar em "diálogo com aquele que nos ama" (Sta. Tereza de Jesus).



   A 1º leitura: Nm 11, 25-29, nos coloca no contexto da história primitiva do povo de Israel, onde Moisés partilha de seu espírito (legado) ao anciãos, na tarefa de guiar o povo, administrar a justiça, governa... “com Moisés serão responsáveis pelo bom andamento da vida do povo” (Jean-Louis Ska). Porém, estes anciãos não foram capazes de transcender ao campo da profecia, algo que Deus inspirou a outros, gerando por sua vez, incomodo nos líderes e certos membros da trilho. Moisés pleno de sensatez e cheio do espirito de Deus exclamou: “quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor lhes concedesse o seu espírito” (Nm 11, 29b). Moisés soube reconhecer a liberdade de Deus, que atua indiscriminadamente, fazendo surgir profetas do meio do povo. Profeta não é alguém que age por si mesmo, mas alguém que se deixa conduzir plenamente pela inspiração divina, é alguém que sabe ler a realidade que o circunda, a luz da Palavra de Deus e sua fé.

   O salmo 18/19, recorda que a lei de Deus não deve ser um peso na vida, mas uma alegria para o coração e conforto para a alma. 

   A 2º leitura continua refletindo sobre o libro do apostolo Tiago. A passagem de hoje: 5, 1-6, inicia com palavras duras contra os ricos que agem com injustiça contra os menos favorecidos. Neste caso o autor cita os trabalhadores explorados e não pagos. O clamor de um povo aparece novamente sendo escutado por Deus, através da denuncia do apostolo. 

   Hoje e ao longo da história da humanidade, percebemos inúmeras desgraças e horrores cometidos contra a vida, especialmente dos mais pobres e desamparados. A situação é ainda mais agravada quando o discurso é apoiada por "argumentos" religiosos que manipulam a Palavra e os planos de Deus. O nome de Deus não pode ser usado em vão, não pode ser usado em favor da injustiça. ISSO É HOMICÍDIO de Deus!

   O Evangelho de Marcos 9, 38-43.43.45.47-48, está em plena sintonia com a proposta apresentada na primeira leitura, com a pretensão de que Deus haja somente dentro das nossas instituições e esquemas mentais. Quantas vezes subordinamos a Deus de acordo com nossas crenças. Isso é paganismo bravo e muito comum em nossa Igreja. É escandaloso afirmar isso, porém o pior é permanecer em uma eterna cegueira, crendo que somos os detentores da verdade. O Evangelho é vida! Voltemos a ele, pois o Espírito de Deus se derrama por toda parte, por isso, abra o teu coração para enxergar os sinais de Deus que estão diante de ti. 

Jesus nos v. 39-40, corrige seus discípulos para o que realmente importa: o cuidado a vida e sua dignidade, independente de onde e de quem vier. Nos versículos seguintes, Jesus aprofunda e expande ainda mais a questão, alertando para possíveis escândalos contrários à sua mensagem e apontando para atitudes para coerentes de seus seguidores, para isso, é preciso estar atento a tudo aquilo que pode atentar contra a realização desta Boa Nova, começando pelas nossas próprias intenções e atitudes. Cada um saberá identificar tudo aquilo que é motivo de distração e corrupção contra um sonho, um projeto, aqui a questão é mais profunda, pois nos referimos ao projeto de Deus para a humanidade que tem a nós como portadores. 

Bom final de semana!

terça-feira, 25 de setembro de 2018

3º linguagem de amor



Presentes uma autêntica linguagem de amor 

   A terceira linguagem de amor apresentada por Gary Chapman, se dá pela linguagem dos Presentes, uma forma diferenciada, mas autêntica de demonstrar amor. Gary Chapman após ter conhecido e estudado diversas culturas, acredita que presentear faz parte do processo amoroso. 

   Segundo o autor, " um presente é algo que você pode segurar nas mãos e dizer: olhe, ele estava pensando em mim ou ela se lembrou de mim. É preciso pensar em alguém para presentear. O presente será símbolo deste pensamento. Não importa se custa dinheiro, o importante é que você pensou na pessoa. Não é apenas a intenção do pensamento que conta, mas o pensamento expresso pelo presente oferecido como expressão de amor". 

   Esta linguagem é tão importante como as demais! Gary Chapman, recorda uma vez mais, que as pessoas têm diferentes linguagem de amor. O que é importante para um, não será para o outro. E alerta: "se a linguagem do amor primária do seu cônjuge for presente, você pode se tornar um especialista em presentear. Essa é uma das linguagens do amor mais fáceis de aprender". 

   Para quem deseja saber por onde começar, o autor indica que se faça uma lista de presentes pelos os quais seu cônjuge já tenho expressado algum interesse. Adverte para que não esperemos uma ocasião especial, pois garante que este é o melhor investimento a se fazer caso o cônjuge tiver como linguagem primária de amor, presentes. Investir na forma de amor do outro, é investir na relação, no amor, pois estando com o tanque de amor cheio, o outro retribuirá amor emocional na linguagem compreensiva de seu cônjuge. 

Não importa o valor do presente, o que conta é o ato de ser recordado e amado pelo outro. 

   Uma outra forma eficaz de presentear, é a presença física no momento de crise, onde a pessoa está mais vulnerável. Gary Chapman, recomenda que se manifeste ao cônjuge sobre o valor de sua presença: "não espere que ele leia sua mente". 

   Através da leitura deste livro, Gary Chapman mostra a importância de identificar a linguagem primária do outro, forma pela qual o outro se sente realmente amado. No final de cada capítulo, o autor brinda sempre brinca seus leitores com uma lista rechonchuda para aqueles que querem corresponder a determinada linguagem de amor. 

Boa leitura!

segunda-feira, 17 de setembro de 2018


Neste final de semana celebramos o 24º domingo do tempo comum. Que a luz do nosso Senhor nos ilumine nesta nova semana e nos permita fecundar o chão da vida com está luz. Que cada um possa se sentir amado e cuidado por este Deus. 

A liturgia do domingo nos convidava a rever e renovar a nossa fé, não segundo os nossos interesses particulares, mas segundo a Revelação dada por Deus ao longo da história da salvação. Lembrando que essa história continua sendo escrita em nossos dias. 

O evangelho proposto foi o de Marcos 8, 27-25, que se encontra no centro do Evangelho de Marcos (cap. 8), onde se encontra o cerne da mensagem de Jesus, se dá a conhecer a sua verdadeira identidade e se estreita o caminho do discipulado, exigindo maior adesão dos seguidores. 

A passagem de Marcos 8, 27-35 pode ser dividida em três partes: Jesus com seus discípulos (27-31); Jesus e Pedro (32-33) e Jesus com a multidão (34-35). As cenas ocorrem próximo à cidade de Cesareia de Felipe, uma das cidades imperiais fundada na Galileia, onde certamente se encontravam as famílias mais ricas da região. 

A catequese de Jesus ocorre no caminho, nome com qual os primeiros cristãos foram identificados. No v. 29 b Jesus dirige uma pergunta intrigante aos seus discípulos: quem dizem os homens que eu sou? E em seguida, volta a pergunta para eles: e vós quem dizeis que eu sou? Jesus não pergunta por ter dúvidas sobre sua identidade, mas para sondar a compreensão de seus discípulos a seu respeito, bem como de seus gestos e palavras. 

Compreender quem ele é e compreender sua mensagem, é sumamente importante para aderir ao seu projeto. Muitos de nós carregamos uma compreensão equivocada sobre Deus. Nossa visão interna determina o modo como estamos no mundo, como nos posicionamos e como nos relacionamos. 


Eu mesma por muitos anos alimentei uma visão equivocada sobre Deus, foi necessário um grande caminho de fé, onde passei de um Deus do temor ao Deus amor. Achava que Deus me castigaria qualquer coisa e me vigiava a todo tempo, isso somado a outras coisas, me fizeram uma adolescente e uma jovem cristã medrosa por muitos anos. Esse tipo de fé leva a prática e a preocupação com coisas externas e rituais, sem que haja uma mudança interior. Estive por muitos anos em busca desse amor de Deus. Só pude preencher uma lacuna que me habitava, quando experimentei este amor. Hoje acima de tudo, sei que Deus me ama e que tenho responsabilidade sobre meus atos. Descobri que ele não me vigia, mas que me cuida a todo instante. De medrosa me tornei mais livre, mais feliz e menos rigorosa comigo e com os outros. Já não buscava mais a perfeição, mas o sentido de tudo. 

Como veem, eu tinha uma falsa imagem de Deus. Hoje igualmente existem muitos cristãos que suplantam a verdadeira imagem de Deus por outras que mais lhe convém. Imagens que justifica atitudes autoritárias, baseadas na lei e não na vida. Uma falsa imagem de um Deus milagreiro que está à disposição de nossos caprichos. 

No diálogo com seus discípulos, Jesus revela que sua hora de voltar para o Pai se aproxima (v.31), por isso, precisava ter a certeza de que seus discípulos dariam conta de assumir a sua missão. Pedro inicialmente parecia estar em sintonia com Jesus, mas em um diálogo íntimo (2° seção), revela que seu pensamento continuava na antiga esperança do messias glorioso. Pedro não podia crer em Jesus como servo sofredor, apresentado na primeira leitura (Is 50, 5-9). 

No v. 33, Jesus repreende a Pedro, chamando-o de Satanás, ou seja, aquele que gera divisão e está longe do projeto de Jesus. Por isso, o mandato é que ele volte para trás: volte para o discipulado. 

O terceiro diálogo de Jesus se dá com a multidão. Nesse diálogo Jesus é claro e objetivo, pois não quer que ninguém o siga com ilusões, por isso, adverte dos riscos e perigos de segui-lo, pois, seu seguimento implica renúncia, abnegação e uma fé capaz de suportar perseguições, incompreensões, morte. Uma fé capaz de romper com as barreiras da indiferença e da injustiça, que esteja disposta a trabalhar em prol da vida e de uma nova sociedade: mais justa e mais fraterna como nos propõe a segunda leitura de Tiago 2, 14-18. 

Desejo a todos uma feliz semana,
 iluminada pela Palavra e não por falácias

1º Domingo da quaresma 2020