sábado, 17 de março de 2018

Se alguém quer me seguir, siga-me, onde estou também estará



     Estamos no contexto do 5º domingo da quaresma, onde já fizemos um caminho com o Senhor, do deserto aos grandes centros, superando as tentações interiores e os desafios da vida. Estamos na reta final e novamente em Jerusalém. Os conflitos com os judeus (líderes religiosos) estão cada vez mais acirrados, o que faz aproximar a hora de Jesus. Este por sua vez, é bastante explícito no Evangelho de hoje: quem quiser me seguir, siga-me, onde estou também estará meu servo (Jo 12, 26), por isso, já não pode mais haver conflito de fé, seguir ou não seguir. Mas aquele que se decide por Jesus, está sujeito a mesma sorte: perseguição, incompreensão e cruz. Aqui Ele não fala da glória do glamour ou de céu, mas a glória de sua total entrega na cruz. Isto porque Ele fez um caminho de ruptura com as estruturas de sua época, pois seus valores eram os do Reino e seu segredo era o amor incondicional e inclusivo.




    Como cristãos devemos nos deixar questionar por Jesus e seus atos, mas caso fossemos budistas, judeus ou de outra religião, o Evangelho não faria diferença em nossa vida. No entanto, somos cristãos e professamos a fé em Cristo, por isso, pensemos o que é mais importante: Deixar-me guiar pelo Evangelho e seus valores, assumindo tudo o que implica ou prefiro um caminho onde tento agradar a todos, mesmo que implique ser desonesto de vez em quando?

    Tem muita gente por aí se dizendo cristão e crer em jesus Cristo, mas na primeira oportunidade é falso e apunhala alguém pelas costas, com fofocas e mentiras; se diz cristão e vive um matrimonio de aparências, onde não se respeita o conjugue; se diz cristão e vende o voto em troca de cerveja ou camisa; se diz cristão e sempre busca tirar vantagem em tudo, o maior exemplo disso, é o nosso senado brasileiro, onde existe até a bancada evangélica, mas que no entanto, está levando o país a miséria. 


Olhemos cada um para dentro de nós mesmos, avaliemos nossas práticas e deixemos Deus nos fala ao coração e agir em nossa vida, para que não seja mais uma páscoa, mas sim a verdadeira páscoa, em uma vida transformada e revitalizada.

    Na 1º leitura, temos o profeta Jeremias 31, 31-34, que narra o desejo de Deus de realizar uma nova aliança com a humanidade, mas uma aliança gravada no coração. Podemos reler esta leitura e contemplar em Jesus a grande aliança que Deus realizou com a humanidade, por meio de sua encarnação, vida, morte e ressurreição. 

    O salmo 50 traz uma bela oração de caráter penitencial, onde o salmista confessa seu pecado e eleva a Deus sua súplica em busca de um coração renovado.

    A 2º leitura da carta aos Hebreus 5, 7-9, uma epístola de caráter bastante cristológico, nos revela na narração de hoje, que Jesus foi fiel ao projeto do Pai mesmo passando pelo sofrimento.

    No Evangelho de João 12, 20-33, temos uma narração rica em detalhes que pode desembocar me muitas reflexões. O contexto se dá em Jerusalém, em uma das festas dos judeus, mas que não é mencionada, mas o grande destaque vai para Jesus que é reconhecido inclusive pelos povos estrangeiros, que se achegam as primeiras comunidades. É interessante notar a presença de estrangeiros no Templo de Jerusalém, mas desde aquela época já existiam os judeus simpatizantes, que assistiam as festas, mas não se assumiam como tal. 

    No diálogo com Felipe e André, Jesus confessa ter chegado sua hora. O capitulo 12 de João prepara para a segunda parte do evangelho (13,1-20,29), onde passaremos do livro dos sinais para o livro da glória, que relata a despedida de Jesus, seus últimos gestos e entrega total, no sacrifício da cruz, mas também sua ressurreição pelo Pai. Neste capitulo João retoma algumas coisas importantes da primeira parte (1, 19-12,50), pois João é uma grande catequese. 

   

    Para falar de sua morte, Jesus faz a analogia com o grão de trigo que encontra seu pleno sentido quando é fecundado na terra, onde amadurece e se transforma em uma nova vida, capaz de dar frutos. Jesus com sua morte nos faz participantes da vida nova oferecida por Deus. Essa vida nova se na adesão a vida e ao projeto de Jesus (cf. v. 26).

    João, assim como os sinóticos também dá testemunho da angustia, medo e dor que Jesus sofreu, mas que sobretudo buscou ser fiel ao Pai até as últimas consequências. No final da oração de Jesus ao Pai, temos o relato de uma teofania (Deus fala): “eu o glorifiquei e glorificarei” (cf. 28b), onde Jesus ouve a voz do Pai, enquanto os presentes só perceberam algo estranho, uma epifania (agir de Deus por meio da natureza, neste caso o trovão). É bastante interessante, pois Deus responde no íntimo e conforme a oração de cada um. 

    No final da narração, Jesus fala do chefe deste mundo que será vencido, Ele se refere a sociedade injusta que oprime, mas que não terá a última palavra na vida daqueles que nele creem.

Um feliz e santo domingo na presença do Senhor 
e uma linda semana

quinta-feira, 15 de março de 2018

A luta de Jacó com Deus



    Esta é uma das várias cenas intrigantes que encontramos nas Sagradas Escrituras. Esta passagem possivelmente seja conhecida por poucas pessoas. Em uma noite, Jacó a fim de receber a benção de Deus, saiu ao seu encontro, mas ao invés de um diálogo ou oração, encontramos a narração de uma luta de Jacó e Deus.

    A história é um tanto estranha, mas pode significar um modo de linguagem. Muitas vezes nós também travamos lutas com Deus, quando algo não vai bem em nossa vida. Nós o questionamos e acusamos de nos abandonar a própria sorte. A mesma situação se passou com Jacó. Recordemos que ele usurpou o lugar de seu irmão na benção da primogenitura, enganando seu pai, fingindo ser seu irmão Esaú.

     Jacó finalmente conseguiu a desejada benção e os benefícios que ela trazia. No entanto, não havia recebido a benção de Deus para ser líder de uma nação. Segundo Anselm Grun, a luta de Jacó com Deus significa a transformação interior que ele passou, ou seja, o momento em que teve que enfrentar a sua própria verdade. O encontro com Deus seria aí, o encontro com a verdade de si mesmo, sem máscaras ou falsidades. O encontro com a nossa própria sombra e feridas, não é nada fácil, mas ao mesmo tempo, se constitui um momento de graça, onde somos “quebrados”, mas restaurados.

    “Jacó depois da luta e de uma noite dolorosa, sentiu-se abençoado por Deus e que já não precisava se esconder atrás das aparências”(Grun).


    “O encontro com a própria verdade e com o próprio lado sombrio é como um sol que nos iluminar e coloca nosso caminho sob o brilho de uma suave luz. Nosso interior fica mais claro. E assim, atravessamos o desfiladeiro e chegamos a outra margem. Uma nova etapa começa em nossa vida, mas continuamos mancando, pois ficamos marcados pelo encontro com a nossa sombra. Andamos mais devagar e com mais cuidado em nosso caminho. Simultaneamente estamos abençoados e nos tornamos como Jacó: uma benção para as outras pessoas” (Grun).

Fonte: Passagens intrigantes da Bíblia, de Anselm Grun, p. 49-51.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Sentido espiritual da semana santa

    

    La Cuaresma es la preparación para la celebración de Semana Santa, que no es santa porque se conmemore la muerte y resurrección de Cristo, sino que es Santa porque se celebra que Cristo, el Hijo de Dios, nos dio la muestra cabal de cuanto nos ama y de cuanto estuvo dispuesto a sufrir por nosotros para redimirnos, eso sí que es amor y merece ser celebrado y festejado.

    ¿Cómo debo interpretar lo que sucedió en Semana Santa, para entender esos hechos como expresión del amor de Jesucristo hacia los hombres?

    Jesús viene como Rey de nuestra vida, la multitud lo aclama y vitorea, pero la multitud no tiene personalidad y se deja convencer con facilidad por falsos profetas y pregoneros del poder, y esa multitud es la misma que luego pedirá la ejecución de Jesús como si fuera un malhechor. En su entrada mesiánica a Jerusalén, Jesús no pide que lo aclamen rey aunque acepta las ovaciones del pueblo porque Él es Rey y se presenta en la forma que habían anunciado los profetas, humildemente; sabe que la algarabía que provoca su entrada en la ciudad, pronto se trasformará en griterío, cuando lo hagan salir de esa misma ciudad para crucificarlo y sin embargo acepta esa demostración de entusiasmo pasajero y la recibe con amor porque conoce nuestras debilidades humanas y sabe que así como nos inclinamos a aceptar con alegría el mensaje evangélico, también tiramos por la borda los bienes espirituales por algún logro temporal.

    En los días siguientes, Jesús intentó enseñar al pueblo que Él estaba allí haciendo todo lo que hacía, por amor al Padre y a los hombres; también nos dejó el mandamiento del amor como mandamiento nuevo y del cual se desprenden todos los demás preceptos y mandamientos cristianos, pero en la Última Cena, Jesús nos deja su mismo Ser, Dios-Hombre, para que no estemos solos frente al maligno y sus acechanzas, luego en su Pasión y Muerte, nos da su Vida para rescatarnos del pecado y finalmente en su gloriosa Resurrección nos da la Vida Eterna al vencer a la muerte.

    La Semana Santa fue la culminación de la entrega del amor de Jesús, entrega a los hombres por amor al Padre, y entrega de todo su sacrificio al Padre por amor a los hombres; la vida pública de Jesús fue una entrega de servicio, curando y sanando cuerpos y almas, y la Semana Santa es la certificación que esas curaciones, pasadas, presentes y futuras, son totales si nosotros aceptamos el amor que las motiva.

    Jesús nos pide que amemos al prójimo como a nosotros mismos, y nos da el ejemplo a seguir: Jesucristo, Dios Hijo, se ama a sí mismo como solo Dios puede amar y nos ama a los seres humanos también como solo puede amar Dios, o sea nos ama como a sí mismo y por eso pagó tan alto precio por nuestro rescate, es un ejemplo difícil pero digno de imitar.

Luís Equini
           

terça-feira, 13 de março de 2018

“Eu morrerei de pé como as árvores”

Poesia de Dom Pedro Casaldáliga que antecipou sua perseguição

Dom Pedro é um dos grandes profetas de nosso tempo: perseguido, amado, prometido de morte e elevado a santo.... Compreenderá quem for fiel ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus


Eu morrerei de pé como as árvores.
Me matarão de pé.
O sol, como testemunha maior, porá seu lacre
sobre meu corpo duplamente ungido.

E os rios e o mar
serão caminho
de todos meus desejos,
enquanto a selva amada sacudirá, de júbilo, suas cúpulas.

Eu direi a minhas palavras:
- Não mentia ao gritar-vos.
Deus dirá a meus amigos:
- Certifico
que viveu com vocês esperando este dia.

De golpe, com a morte,
minha vida se fará verdade.
Por fim terei amado!


Os profetas não se fazem, eles nascem e crescem no meio do povo, anunciando o querer de Deus para a humanidade, mas também denunciando os pecados e opressões da sociedade.

sábado, 10 de março de 2018

Jesus é presença de Deus que oferece salvação


   Como comunidade de fé, estamos avançando em nossa caminhada rumo a pascoa do Senhor, mas será que Deus espera somente que a relembremos ou que realmente sejamos pessoas transfiguradas? Nada teria sentido com a simples memória! 

    A páscoa é o evento central da fé cristã, o qual não devemos ser indiferentes, pois Jesus em seu curto ministério, nos revelou a face amorosa de Deus e seu desejo de salvação. Ao contrário do que muitos pregam ou acreditam, Jesus não veio condenar, mas salvar no amor e doação de si mesmo, abraçando até as últimas consequências o gesto desta entrega. No entanto, ninguém para e reflete sobre a morte de Jesus, muitos creem piamente que ele foi enviado para morrer em nosso lugar, nos salvar do pecado. Jesus realmente veio nos apontar outro caminho diferente do pecado e da injustiça, mas sua morte não foi querer de Deus, mas fruto da violência, ganancia e incompreensão daqueles que detinham o poder religioso, econômico e político de Israel. 

    A campanha da fraternidade deste ano, nos convida a refletir o tema da violência em nosso país, que atinge a todos direto e indiretamente. Se cremos de corpo e alma no Deus da vida, não podemos permanecer indiferentes frente a tanta atrocidade, pois outros Jesus são martirizados diariamente, por questões diversas. Jesus foi morto porque pensava e agia diferente. Não agia como “a galera”, mas defendia e partilhava a mesa e a vida com os marginalizados. No entanto hoje, depois de 20 séculos, nos transformamos em uma Igreja soberana, burguesa que não promove os marginalizados, mas infantiliza e mantém um assistencialismo fajuto. 

    Esquecemos que como Igreja, somos chamados a ser “sal da terra e luz do mundo”. A omissão também é um grave pecado e como cristãos, não podemos ser a meias. Se hoje somos chamados de cristãos, é porque o homem de Nazaré viveu plenamente e se entregou por inteiro a favor da vida, como o enviado do Pai. 

    Estamos celebrando o 4º domingo da quaresma, deixemos que as leituras com seus apelos, nos falem ao coração. Mergulhemos por inteiro na mística quaresmal para renascer com Cristo na páscoa. 

    Na 1º leitura de 2 crônicas 36, 14-23, temos uma recapitulação da infidelidade do povo de Israel, motivo pelo qual eles atribuem o exílio babilônico e demais desgraças sucedidas a Israel durante este tempo. Com a sucessão do império Persa, Israel volta a ter uma certa autonomia, dentre elas, a liberdade religiosa. Todos estes fatos são reforçados com textos das Sagradas Escrituras. 

    O salmo 136 exclama: que se prenda a minha língua ao céu da boca, se de ti, Jerusalém eu me esquecer! É um belo salmo, que recorda os momentos sofridos no exílio da Babilônia. Vemos nele o saudosismo e o amor à pátria de um israelita exilado. Quantas pessoas que hoje vivem em nosso país, longe de sua pátria, de seus amigos e familiares, a causa da violência e miséria. Que possamos ser mais irmãos e solidários com estas pessoas que sofrem silenciosamente em seus corações. 

    A 2º leitura da carta aos Efésios 2, 4-10. O autor nos lembra que somos salvos pela graça de Deus e seu infinito amor. 

    O evangelho de João 3, 14-21 temos o enigmático diálogo entre Jesus e Nicodemos. Estamos no quarto evangelho, que traz um modelo próprio de desenvolver sua narrativa, que se assemelha a uma catequese. No início ele trabalha com pessoas que se aproximam da fé em Cristo e no decorrer do evangelho percebemos um aprofundamento com os aqueles que já fazem parte da comunidade e da fé em Cristo. 


    O personagem de Nicodemos, representa um iniciado na fé, que mesmo sendo mestre de Israel, precisa refazer seu caminho de fé. Na narrativa de hoje, temos a continuação de um diálogo entre Jesus e Nicodemos. Nicodemos como bem sabemos pertencia ao grupo dos fariseus, mas que se atraiu aos ensinamentos de Jesus, ainda que tivesse dificuldade para compreende-los. A comunidade joanina para falar da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo para os judeus, parte daquilo que eles já conhecem. “Assim como a serpente foi levantada no deserto, como sinal de salvação, assim também o Filho do homem, será levantado”. A crucificação de Jesus, não foi uma escolha masoquista, mas um sinal total de sua entrega em favor de toda a humanidade, poie ele veio nos salvar e não nos condenar. No entanto, requer de nós um posicionamento em favor da vida ou da morte, transformados em gestos concretos. Esta escolha é livre e determinada pela fé. 

    A vida eterna, em João não se refere somente a vida após a morte, mas uma vida plena, plena de sentido...

sexta-feira, 9 de março de 2018

Gotas de conhecimento




Todo o conhecimento que adquirimos é um poder que recebemos. Não despreze as oportunidades de conhecimento e de estudar que tenha, como diz São Paulo: tudo contribui para o daqueles que amam a Deus. Tudo na vida contribui para que sejamos pessoas, a diferença estará como nos posicionamos frente as coisas e acontecimentos. Por isso, partilho com vocês pequenos trechos que leio, tudo pode ser gota de sabedoria. 

Calar-se para poder ouvir 

    “Entre os muitos significados de obediência, está o de prestar atenção e ouvir com cuidado para então agir de acordo. Ouvir com atenção pressupõe calar-se, pois enquanto eu mesmo estiver falando não consigo escutar. Ouvir com atenção significa ficar quieto e vazio para deixar-me encher por algo novo” (Grum e Andrea Schwarz). Vivemos no mundo globalizado, porém carente de amor, de escuta que abrace o outro nas suas alegrias e dores. Algo mudou radicalmente, pois já não temos time interior para escutar, vivemos conectados e afanados, sempre correndo. Com 3 ou 5 minutos uma senhora conta toda sua vida no coletivo, porque não encontra em sua casa um coração que a escute. 

    É irônico, mas a nossa juventude e outras pessoas, correm o risco de perder ou de ter alguma alteração em sua audição. Estamos com os ouvidos no lugar errado e até tapados. O que os olhos não veem, o pé esmaga. Os namorados não se ouvem, só transam ou discutem; pais e filhos se cobram, mas não se ouvem reciprocamente; Patrões “vomitam” afazeres sobre seus empregados, mas desconhecem o potencial de sua equipe; as religiões pregam e decretam sentenças, mas não acolhem e orientam o povo; os políticos fazem suas leis e lavagens, sem o menor escrúpulo com a dor e miséria da população. 


    Está na moda a pergunta: que país nós queremos? Que filhos estamos deixando para o mundo? ... Mas esta pergunta não pode ser clichê ou moda da globo, A ação que exercemos no mundo de modo particular, repercute sobre os outros, sejamos conscientes ou não. A escuta não só se refere a escutar alguém, mas também, a escuta do nosso próprio coração e os clamores do nosso corpo, seja pelos sintomas que apresentam ou por pela crítica de outros. Escutar, é essencial, é mais que ouvir. 

Palavras são preciosas, importantes, valiosas. 
Não as perca, pare antes de falar 
Deixe que cresçam em você, antes que as solte 

Doe-lhes ao silencio para que possam vir a ser 
Acredite nelas 
para que possa pronunciá-las com convicção 

Concentre-se, fique em você, 
torne-se substancial, limite-se 
A força se concentra no pouco, 
perde-se no muito.

Poesia do livro: chamados a viver o Evangelho 
Autores: Anselm Grun e Andrea Schawarz

quinta-feira, 8 de março de 2018

Sei que a leitura do espanhol, não resulta fácil a todos, mas Luís Equini traz sempre reflexões atuais e profundas. Na reflexão de hoje, ele descreve os últimos momentos de Jesus, como se fossem narrados pelo mesmo Jesus. Não sabemos realmente o que teria passado e sofrido Jesus em seu interior, por isso a reflexão de Equini pode nos ajudar a mergulhar na mística da semana santa. Confira, medite e ore.


Jesús a camino de su muerte


¿Habrá pensado algo de esto, Jesús, cuando iba camino al Calvario?

    Estoy con mis amigos en el monte de los olivos, que llaman Getsemaní, es noche cerrada, siento frío en el cuerpo y en el alma por lo que se avecina, estamos todos cansados y mis amigos se dejan vencer por el sueño, mientras yo oro a ti, Padre mío.
   Tengo una tristeza de muerte, ha llegado ya mi hora, estoy transpirando y no es de calor porque estamos en invierno, siento un sabor a sangre y sal al secarme la transpiración de la cara con la mano, no se lo digo a mis amigos porque ya están bastante asustados con lo que viene pasando en los últimos días. Yo también tengo miedo y por eso te pido, Padre, que si fuera posible me liberes de beber esta copa de dolor, pero que se haga su voluntad y no la mía.
     Oigo murmullos de personas que se acercan, ya veo las antorchas y distingo los palos y armas que traen, dispuestos a la lucha, si hace falta para apresarme como a un vulgar delincuente o a un revoltoso peleador, me intimidan pero a pesar de eso los enfrento, Ni bién la débil luz de las antorchas me alcanza, para que no se produzca una trifulca con mis amigos, aunque no logro evitar que Pedro, con su espada, hiera a uno de ellos. Me tratan con violencia, me golean, me empujan y me arrojan al suelo por temor a que yo me resista, hasta me sujetan con cuerdas en las manos y el cuello para evitar que pueda huir, pero yo no ofrezco ninguna resistencia. Me llevan casi a la rastra por las callejas de la ciudad hasta llegar a la casa del sumo sacerdote, donde me someten a un interrogatorio como a un vulgar delincuente, me enfrentan con falsos testigos buscando la excusa para condenarme a muerte, pues eso es lo que quieren, matarme, así que el interrogatorio y los testigos son una farsa y mal preparada, y como no logran hallar un motivo valedero para consumar su plan, yo mismo les doy ese motivo anunciando que el Hijo del Hombre se sentará a la derecha de Dios, y que vendrá con mucho poder y gloria, sobre las nubes para juzgar a los hombres.
   Los jefes de los judíos, y los religiosos ya han decidido condenarme a muerte aun antes de apresarme, no buscan la verdad, no importa lo que yo diga en mi defensa, por eso con esa declaración mía ya tienen un argumento para condenarme a muerte, según ellos entienden que yo blasfemé, pero como están bajo el poder de los romanos no les está permitido hacer justicia por sí mismos, por lo que me llevan a la presencia del gobernador romano, y cuando me interroga le comunico mi realeza, la que no es de este mundo y el gobernador queda perplejo sin saber que hacer. El gobernador romano no es judío, obviamente, por lo que no puede entender mi postura, no tiene ni idea de lo que estoy hablando, y aunque si fuera judío no aceptaría lo que yo estoy diciendo, este hombre no tiene interés en condenarme a muerte, porque además no encuentra motivos, pero es un hombre miedoso de perder su buena posición.  Intenta varias veces evitar mi condena pero finalmente se deja convencer más por temor a una posible represalia en su contra por parte del emperador.
    Con falsas acusaciones logran que se me castigue con los cuarenta latigazos y los soldados agregan una corona de espinas por eso de que soy rey, y soy escarnecido y se mofan de mí de todas las formas que se les ocurre.
La turba, alentada y acicateada por los sumo sacerdotes y demás jefes religiosos judíos, sigue gritando y pidiendo mi muerte a cambio de la vida de un sedicioso que está preso, y el gobernador accede y acepta el cambio, así termina con este altercado que le molesta.
    La condena a que soy sometido es muerte en la cruz, el peor castigo reservado para grandes delincuentes, y yo, debilitado por los castigos prévios, debo cargar hasta el lugar de la ejecución un pesado leño que será mi patíbulo, el lugar asignado para la ejecución es al costado del camino que conduce a la ciudad, para que todos los que pasen por allí me vean y les sirva de escarmiento.
    Estoy cansado y dolorido, debilitado por la sangre que perdí en la flagelación, y por temor a que yo muera antes de llegar al lugar de la crusificción, y quedarse sin el espectáculo central de toda esta parodia de juicio, los soldados toman a un campesino que regresaba de sus tareas en el campo y lo obligan a llevar el madero de mi patíbulo, cosa que hace de mala gana, y yo pienso: si supieras a quien estás aliviando del peso de ese madero lo harías con otra disposición de ánimo.


   Mientras avanzamos por las calles retorcidas de la ciudad en dirección al lugar de la ejecución miro a mi alrededor y veo gente de todas las edades pero casi exclusivamente hombres, algunos observan con curiosidad pues no saben de mi, otros miran interesados, esperando ver algún prodigio porque oyeron hablar de los milagros que realicé, otros más gritan y vociferan con saña, alentados por los jefes, como intentando hacer más dolorosa mi situación mientras un grupo de soldados mantiene a la multitud alejada de mi, quizás para evitar que mis amigos intenten acercarse para liberarme.
   Mientras miro a esa muchedumbre pienso:¡cuantos de los que hoy estuvieron pidiendo mi muerte habrán estado festejando mi entrada a la ciudad, el último domingo, pidiendo que me hagan rey! Y también pienso que la muchedumbre es anónima, son muchos pero es nadie, no tiene rostro, no se sabe quienes la componen, y tampoco tiene cerebro ni idea propia, se deja llevar por quien grite más fuerte, por lo que no son plenamente culpables de lo que hacen.
    Allá lejos, casi escondiéndose entre las casas, distingo a un grupo de mujeres que lloran, se golpean el pecho y con el rostro cubierto por el manto como intentando hacer desaparecer, con no verla, esta dura realidad que están viviendo, se consuelan mutuamente. El grupo de mujeres logra alcanzarme y a la distancia me dicen palabras de aliento para darme un alivio que no llega, entonces les digo que no lloren por mí sino por todos aquellos que están en las tinieblas del error y no buscan la verdad. Una de esas mujeres se anima a desafiar a la guardia romana y llega hasta mí y con un lienzo me seca el rostro de sangre y sudor. 
    Luego veo a mi madre, está un poco más retirada, sostenida por alguna parienta porque el dolor que siente le hace flaquear las fuerzas, ella sabe que mi camino es ese y que no tiene retorno, pero por sabido no deja de ser más doloroso, y por eso quizás sufre más todavía, yo intento consolarla con la mirada pero en ese momento caigo y ya no veo a mi madre, pero veo a algunos de los que curé de enfermedades y que sin embargo se ensañan conmigo como si le hubiese hecho algún daño.
    Tropiezo y vuelvo a caer, y es la excusa que necesitan los verdugos para azotarme nuevamente, percibo que lo hacen para enardecer más todavía a la turba, que como dos murallas a mis costados, me marcan el camino pues yo no alcanzo a ver bien por donde voy.
    Pienso en todos los sufrimientos que me están infringiendo y me pregunto porque el ser humano se deja llevar tan fácilmente por los pregoneros de la muerte, porque algunos hombres disfrutan tanto con el morbo y el sufrimiento ajenos, hay situaciones en las que estos dos factores ofician de disparadores de las pasiones más bajas del ser humano.
    Miro a un grupo de niños que observan todo lo que sucede, corren de un lado para otro alrededor nuestro intentando no perderse nada del espectáculo, lo toman como una diversión, no tienen conciencia de la gravedad y magnitud de estos hechos, se insensibilizan al dolor ajeno y crecerán con el convencimiento que pueden provocar dolor a las personas sin ningún reparo. La prueba de ello está en el grupo de mis verdugos, se ensañan en provocar dolor y daños a sus víctimas sin ponerse a pensar si es justo o no lo que están haciendo, buscan un algo que los gratifique, se ríen de los padecimientos de los reos ocasionales, en este caso yo, y sin embargo no se sienten satisfechos con lo que hacen, y quizás esa es la razón por la que aumentan los tormentos de los condenados con novedosas formas de torturas, en la vana esperanza de hallar eso que los gratifique plenamente.
    Mientras sigo andando entre empujones, golpes, insultos, tropiezos y caídas pienso también en el grupo de los llamados religiosos, esos que instigaron y lograron obtener mi condena a muerte. Tienen miedo, aunque parecen muy seguros de sí mismos, y su temor no es a sufrir algún daño o agresión físicos, su temor es a perder sus privilegios de jefes, conductores o maestros dentro de la religión judía, perdiendo con ello el bienestar económico y social que conlleva su posición, corrupción mediante. En su mentalidad yo represento un peligro porque hago notar la hipocresía con que se presentan al pueblo y ese es el verdadero motivo por el que buscaron mi muerte.


    También hay un grupo de personas que desconocen totalmente mi historia y mi prédica, por lo cual piensan que si me tratan así será porque algo debo haber hecho para merecer ese trato, son los que creen que con desentenderse de situaciones complicadas están libres de toda responsabilidad.
    En toda esta vorágine de acontecimientos pienso en mis amigos que no los veo, ni cerca ni lejos, solo vi a Pedro, en la mañana temprano, en el patio de la casa del sumo sacerdote, nuestras miradas se cruzaron por un momento y él bajó sus ojos hacia el piso, se dio vuelta y dándome la espalda salió apresuradamente de la casa, luego no volví a verlo. A los otros no los veo, quizás escaparon por miedo a sufrir la misma suerte que yo, todavía no están preparados para lo que yo los elegí.
    Ya estoy cerca del sitio donde me crucificarán, y mi instinto es retrasar la llegada a ese lugar, no me gusta sufrir, me estoy moviendo como un autómata y me resisto a terminar así, morir de una forma ignominiosa, en un pueblo subdesarrollado y sin que ni siquiera mis paisanos reconocieran quien realmente soy. Recorro los últimos pasos en la convicción que este es el único camino para redimir a la humanidad extraviada en el laberinto de su propia concupiscencia.
     Con mucha violencia me arrancan las vestiduras, me tiran al suelo, me sujetan y clavan mis manos y mis pies al patíbulo y ya me levantan en la cruz quedando yo colgado de los clavos. El dolor es tan intenso, insoportable, que me deja en una semiinconsciencia, y nuevamente veo a mi madre llorando y a su lado a uno de mis amigos, Juan, y le pido que vea en Juan a su Hijo, y a Juan le pido que se haga cargo de mi madre cuidando de ella por mí. Solo me queda pensar en el desconocimiento que tienen estos hombres de mi persona y la ignorancia los favorece, por eso Padre, perdónalos, no les tengas en cuenta esto que hacen conmigo.


  

  Padre, la copa que me ofreciste la tomé hasta la última gota, ahora voy a ti, a tu derecha, como fue y será por los siglos de los siglos. BENDITO SEAS POR SIEMPRE. PADRE

Equini Luis

1º Domingo da quaresma 2020